Reentrada

Autor: 
William Harris

A parte mais perigosa da viagem de volta é a reentrada na atmosfera da Terra. Isso porque o ônibus espacial deve perder praticamente toda sua velocidade orbital - cerca de 25 a 30 vezes a velocidade do som. Existem várias maneiras de reduzir a velocidade da espaçonave. Atualmente, a NASA usa um método chamado dissipação da energia, que requer que a energia cinética do ônibus seja convertida em calor conforme a nave passa pela atmosfera. Para dar início ao processo, o piloto do ônibus espacial acende os retrofoguetes enquanto o veículo voa para trás e fica com a "barriga" para cima. Isso diminui sua velocidade, deixando-a abaixo da velocidade orbital crítica, e faz com que ele desça à atmosfera. Em seguida, o ônibus espacial se posiciona para descer -- com o nariz para frente e levemente para cima e a barriga para baixo. A barriga é revestida com placas cerâmicas que agem como protetores térmicos à medida que os computadores do ônibus orientam a espaçonave para uma descida flamejante com uma hora de duração.

Atlantis faz uma rara aterrissagem noturna no Centro Espacial Kennedy em 1996.
imagem cedida pela NASA

O ônibus espacial Atlantis faz um pouso noturno raro no Centro Espacial Kennedy, em 1996


Cerca de 40 km acima da Terra, o piloto assume mais uma vez o controle, pilotando o ônibus como se fosse uma aeronave à medida que se aproxima do KSC, na Flórida. O veículo circula sobre o porto espacial para perder velocidade e finalmente aterrissa na pista de 4,8 km de comprimento, ao lado de um canal. Ao tocar o chão, ele ainda está com uma velocidade de aproximadamente 346 km/h. Com um pára-quedas, os freios traseiros e ainda algumas centenas de metros de pista, a espaçonave para completamente -- mais à frente de seu ponto de partida.

A próxima etapa é a sessão de relato pós-missão. Os astronautas e o pessoal de todas as fases da missão sintetizam o que aconteceu ao longo da expedição e apresentam suas descobertas. Os astronautas prestam contas valiosíssimas, em primeira mão, sobre os sistemas e operações a bordo do ônibus e da estação espacial, ajudando a NASA a compreender como redefinir e readaptar vários aspectos de uma missão para tornar as expedições futuras ainda mais bem sucedidas.

Trabalho perigoso

Embora a missão descrita acima faça o voo espacial parecer rotineiro, cada viagem para o espaço é um fio de navalha entre o sucesso e o desastre. Um dos primeiros acidentes ocorreu na União Soviética, em 1960, no que hoje conhecemos como a catástrofe de Nedelin. Um foguete R-16 explodiu durante o lançamento matando 126 funcionários soviéticos das equipes de míssil e espaço.

Os Estados Unidos não ficaram imunes a essas tragédias. Em 1967, durante um teste de rotina do Módulo de Serviço e Comando da Apollo 1, os astronautas Ed White, Gus Grissom e Roger Chafee morreram em um incêndio na cabine. Outras duas tragédias com ônibus espaciais tiraram a vida de 14 astronautas: o desastre com o Challenger em 1986, e o com o Columbia em 2003. Christa McAuliffe, a primeira professora no espaço, morreu na explosão do Challenger.

Para os cientificamente curiosos, a exploração espacial tem seus próprios benefícios, mas uma pessoa precisa comer. Saiba na próxima página como os astronautas são remunerados.