Voo espacial

Autor: 
William Harris

A T-0, os dois foguetes auxiliares do ônibus espacial acendem, e a espaçonave decola. Cerca de 10 minutos depois, os astronautas estão em uma órbita baixa, viajando a 25 vezes a velocidade do som e dando uma volta ao redor do planeta a cada 90 minutos. O destino deles - a estação espacial - está girando 384 km acima da Terra, mas o ônibus está atrás da estação e deve alcançá-la. Para diminuir a distância, os astronautas fazem ignições periódicas dos propulsores a bordo da nave.

Atlantis lança em 2 dezembro de 1988 em uma missão para classificação dos Estados Unidos para  Departamento de Defesa.
imagem cedida pela NASA
Lançamento do Ônibus Espacial Atlantis, em 2
de dezembro de 1988, em uma missão classificada pelo Departamento de
Defesa dos Estados Unidos

Os astronautas chegam à estação espacial três dias depois do lançamento do KSC. A abordagem final, feita por trás e abaixo da estação, é lenta e metódica. As constantes comunicações entre o ônibus espacial e o solo são mantidas à medida que ele faz uma volta gigante ao redor do topo da estação e, lentamente, prende-se à porta de acoplamento. Uma vez que o ônibus e a estação estiverem completamente unidos, as duas tripulações poderão se encontrar. Eles fazem uma rápida comemoração, mas os astronautas têm uma agenda lotada e precisam trabalhar quase que de imediato.

Devido à gravidade zero (ou microgravidade, para ser mais exato), o trabalho no espaço é bem diferente de como é aqui na Terra. Os astronautas precisam se acostumar com a ausência de peso, que provoca a deterioração dos músculos e ossos e requer que tudo que esteja solto, inclusive o astronauta que estiver dormindo, seja amarrado. Comer, beber e usar o banheiro são grandes desafios em órbita. Ao longo dos anos, a NASA criou soluções engenhosas que tornam a vida no espaço o mais confortável possível.

Enquanto estão em órbita, os astronautas passam a maior parte do tempo nos compartimentos relativamente seguros do ônibus espacial ou da estação espacial. Porém, muitas missões requerem uma caminhada espacial, seja para instalar um satélite ou fazer reparos. Durante a caminhada, o astronauta deve usar um traje espacial - que a NASA chama de unidade de mobilidade extraveicular (EMU, sigla em inglês) - para protegê-lo e sustentá-lo no vácuo do espaço. Cada EMU possui um torso superior rígido, um conjunto do torso inferior e pernas. Um sistema portátil de suporte à vida, ou PLSS (portable life support system), integra-se totalmente ao traje e é usado como se fosse uma mochila. O peso do conjunto EMU-PLSS é considerável. O traje pesa cerca de 50 kg; o PLSS aproximadamente 141 kg. Por esse motivo, a NASA criou os EMUs para trabalhos somente em condições de microgravidade, em que o peso do próprio traje é irrelevante. Em comparação, o traje do Apollo era muito diferente. Incluindo a mochila de suporte à vida, ele pesava cerca de 82 kg.

A maioria das missões em ônibus espaciais dura duas ou três semanas. Geralmente, um astronauta do ônibus troca de lugar com um dos que estão  na estação espacial no final da missão. Aqueles que retornam à Terra entram no ônibus espacial e se preparam para a partida. Antes do desacoplamento, o comandante do ônibus geralmente se despede do comandante da estação. Então, o ônibus se desprende da porta de acoplamento e se distancia lentamente. Uma volta final permite que a tripulação do ônibus tire fotos da estação. Depois, seguem de volta à Terra.

A reentrada pode ser muito perigosa. Na próxima página, você conhecerá os desafios que os astronautas enfrentam ao retornarem para casa.