Treinamento do astronauta

Autor: 
William Harris

Os pretendentes aceitos como candidatos a astronauta devem se apresentar em Houston, Texas, local do principal centro de treinamento da NASA. Conhecido hoje como Centro Espacial Johnson (JSC, sigla em inglês), na verdade, iniciou suas atividades como Centro de Espaçonave Tripulada, em 1961. Porém, em 1973, seu nome mudou em homenagem ao ex-presidente texano Lyndon B. Johnson, que faleceu em janeiro daquele ano. O JSC teve um papel importante nos projetos Gemini, Apollo e Skylab e continua liderando os trabalhos da NASA com os programas do ônibus espacial e da Estação Espacial Internacional. Ao longo de seus quase 50 anos de história, o JSC treinou 321 astronautas norte-americanos e 50 astronautas de outros países. O processo de treinamento usado atualmente é o auge dessa considerável experiência.

Um astronauta Mercury é encarregado de recuperar a sonda gimbal girado fora de controle.
GRC/NASA
Um astronauta do Mercury treina no aparelho de
argolas de suspensão para aprender a se restabelecer caso sua cápsula
espacial gire fora do controle

A primeira fase começa com dois anos de treinamento básico. E boa parte dele ocorre em sala de aula, onde os candidatos a astronauta aprendem sobre os sistemas de ônibus espacial e estação espacial. Há também aulas de geociências, meteorologia, ciências espaciais e engenharia, que podem ser úteis no trabalho no espaço. Fora da sala de aula, os candidatos devem concluir o treinamento de técnicas militares de sobrevivência em terra e mar para o caso de haver um pouso não planejado na Terra. O treinamento é para capacitá-los a usar equipamentos de mergulho; os estudantes também passam por um teste de natação no primeiro mês. Os candidatos precisam nadar três vezes uma piscina de 25 m de comprimento sem parar. Além disso, devem nadar três vezes o comprimento da piscina usando os calçados e trajes de voo sem limite de tempo e também andar sob a água por 10 minutos, sem parar, vestindo o traje espacial.

Ao final do período de treinamento básico, os candidatos podem ser selecionados para se tornarem astronautas. Talvez você pense que esse seja o fim do treinamento, mas, na verdade, é apenas o começo da segunda fase. Nela, os estagiários são agrupados com astronautas veteranos, que trabalham como instrutores para compartilhar conhecimento e experiência. A meta principal dessa relação de tutoria é garantir que cada estagiário esteja capacitado em todas as atividades relacionadas ao pré-lançamento, lançamento, órbita, entrada e pouso.

Finalmente, os astronautas recebem as atribuições de sua missão e tripulação e entram na fase de treinamento avançado da missão. Nesses últimos 10 meses de treinamento, os astronautas concentram-se em atividades, exercícios e experimentos específicos a sua missão. Por exemplo, os astronautas designados para a missão STS-61 (ônibus espacial Endeavor, dezembro de 1993) foram incumbidos de ajustar a óptica do telescópio espacial Hubble. Para isso, seu treinamento envolveu o trabalho com um modelo em tamanho real do telescópio no Simulador de Flutuação Neutra, no Centro de Voos Espaciais Marshall, em Huntsville, Alabama. A tripulação também treinou no Centro de Voos Espaciais Goddard, em Greenbelt, Maryland, onde se familiarizaram com as ferramentas mecânicas e outros dispositivos especiais que usariam durante a missão.

Como mostra claramente a missão STS-61, é necessária uma série de simuladores e instalações para preparar os astronautas para seu trabalho no espaço. O JSC opera outro simulador de flutuação neutra - o Laboratório de Flutuação Neutra (NBL, sigla em inglês) - para simular a microgravidade na Terra. O NBL fica dentro das instalações de treinamento Sonny Carter e, com 61 m de comprimento e 12 m de profundidade, contém 23,5 milhões de litros de água. No fundo do tanque, os astronautas treinam caminhadas espaciais, passando cerca de 10 h debaixo d'água para cada hora que passam andando no espaço.

A variedade de desafios que eles encontram exige muitos ambientes de treinamento diferentes. Saiba mais na próxima página.