Caindo fora

Quando um tripulante levanta a alavanca ou puxa a proteção de rosto do assento ejetável, começa uma série de eventos que impulsionam a abóbada para fora do avião e expele o tripulante. Ser ejetado de um avião não demora mais do que quatro segundos contados a partir do momento em que a alavanca é puxada. A quantidade exata de tempo depende do modelo do assento e do peso do tripulante.


Foto cedida Goodrich Corporation
Este assento ejetável ACES II possui uma alavanca central usada para ativar a seqüência de ejeção

Puxar a alavanca dispara um cartucho explosivo na arma da catapulta, lançando o assento no ar. Conforme o assento sobe pelos trilhos direcionais, um sistema de contenção de pernas é ativado. Essa contenção de pernas é projetada para proteger as pernas do tripulante de fragmentos durante a ejeção. Um foguete sob o assento fornece a força que eleva o tripulante a uma altura segura. Essa força não está fora das limitações fisiológicas humanas, de acordo com documentos da Goodrich Corporation, um fabricante de assentos ejetáveis usados pelas forças armadas americanas e pela NASA.

Antes do sistema de ejeção ser lançado, a abóbada tem de ser expelida para permitir que o tripulante escape da cabine. Há pelo menos três maneiras da abóbada ou da parte superior do avião ser expelida:

  • elevação do canopi - parafusos cheios de carga explosiva são detonados, soltando o canopi. Pequenos foguetes propulsores ligados à parte frontal da bolha empurram-na para fora do caminho do piloto que vai ser ejetado, de acordo com Martin Herker, antigo professor de física que escreveu sobre assentos ejetáveis e tem uma página na Internet que descreve assentos de ejeção; (clique aqui - em inglês - para ir à página dele.

     

  • fragmentar o canopi - para evitar a possibilidade de um tripulante se chocar com a bolha durante a ejeção, alguns sistemas de fuga são projetados para destruir o canopi com um explosivo. Isso é feito instalando um fio de detonação ou uma carga explosiva ao redor ou através do canopi. Quando ele explode, os fragmentos da bolha são retirados do caminho do tripulante pelo vácuo;

     

  • escotilhas explosivas - aviões sem abóbada devem ter uma escotilha explosiva. Parafusos explosivos são usados para explodir a escotilha durante a ejeção.

O assento, pára-quedas e kit de sobrevivência também são ejetados do avião junto ao tripulante. Muitos assentos, como o ACES II (Assento Ejetável de Conceito Avançado, Modelo II), têm um foguete propulsor fixado sob o assento. Após o assento e o tripulante terem saído da cabine, esse foguete irá elevar o tripulante de 30 a 61 metros de altura, dependendo do peso dele. Essa propulsão adicional permite que o tripulante fique longe da cauda do avião. Desde janeiro de 1998, ocorreram 463 ejeções em todo o mundo com o uso do ACES II, de acordo com a força aérea americana. E mais de 90% dessas ejeções foram bem-sucedidas.


Foto cedida NASA
O pára-quedas se abrindo em um assento ejetável Martin-Baker durante um teste. O pequeno pára-quedas do topo é chamado de pára-quedas de desaceleração.

Assim que estiver fora do avião, um revólver no assento dispara um projétil de metal que puxa um pára-quedas menor, chamado de pára-quedas de desaceleração, da parte superior do assento. Ele serve para diminuir a taxa de descida e estabiliza a altitude e trajetória do assento. Após uma quantidade de tempo específica, um sensor de altitude faz com que esse pára-quedas puxe o pára-quedas principal da mochila do piloto. Neste ponto, um motor separador dispara e o assento continua sua queda sem o tripulante. O tripulante pousa no solo como em qualquer salto de pára-quedas.

Modos de ejeção
No assento ejetável ACES II produzido pela Goodrich Corporation, há três modos de ejeção possíveis. Qual será usado é determinado pela altitude e velocidade no momento da ejeção. Esses dois parâmetros são medidos pelo sensor ambiental e seqüenciador de recuperação na parte traseira do assento de ejeção.

O sensor ambiental detecta a velocidade e altitude do assento e envia os dados para o seqüenciador de recuperação. Quando a seqüência de ejeção tem início, o assento passa pelos trilhos direcionais e expõe tubos de pitot. Esses tubos, que receberam esse nome devido ao físico Henri Pitot, são projetados para medir as diferenças de pressão do ar e determinar sua velocidade. Dados sobre o fluxo de ar são enviados ao seqüenciador, que então seleciona entre três modos de ejeções:

  • modo 1 - baixa altitude, baixa velocidade. Serve para ejeções a velocidade de menos de 463 km/h e altitudes menores do que 4.572 metros. O pára-quedas de desaceleração não é aberto no modo 1.
  • modo 2 - baixa altitude, alta velocidade. Foi projetado para ejeções a velocidades de mais de 463 km/h e altitudes de menos de 4.572 metros.
  • modo 3 - alta altitude, qualquer velocidade. Selecionado para qualquer ejeção a uma altitude maior do que 4.572 metros.

Cronometrando uma ejeção

  • 0 segundos - o piloto puxa a alavanca, o canopi é lançado ou destruído, a catapulta começa a elevar o assento pelos trilho.
  • 0,15 segundos - o assento sai dos trilhos de ejeção a 15 metros por segundo e está livre da cabine. O foguete é ligado e o foguete vernier dispara para contrabalancear quaisquer mudanças de inclinação. O motor de guinada é disparado e induz uma leve guinada para garantir a separação entre o piloto e o assento (o tempo de uso de todos os motores é igual a 0,1 segundo).
  • 0,50 segundos - o assento se elevou a cerca de 30,5 a 61 m da altitude inicial de ejeção.
  • 0,52 segundos - o separador dispara, o cartucho também dispara para soltar o tripulante e seu equipamento do assento e o pára-quedas de desaceleração inicia o pára-quedas convencional.
  • de 2,5 a 4 segundos - o pára-quedas principal é totalmente aberto.
Fonte: Goodrich Corporation