Arqueólogos amadores e ladrões

Por meio da pesquisa e da interpretação, os arqueólogos transformam restos materiais com significado desconhecido em itens historicamente importantes. Eles montam panoramas sobre civilizações perdidas, resolvem mistérios médicos do passado e descobrem como chegamos ao lugar que hoje ocupamos. Mas seu trabalho depende da precisão - um sítio desordenado tem menos chance de reter pistas verificáveis. Embora pessoas que não são arqueólogos ocasionalmente façam achados importantes, os arqueólogos amadores e saqueadores muitas vezes destroem, deslocam ou roubam artefatos miraculosamente preservados por muitos anos.

Machu Picchu
David Noton/Getty Images
O Peru, país rico em artefatos arqueológicos e sítios históricos, como Macchu Picchu, esforça-se para proteger seus tesouros

Para prevenir ou ao menos restringir essa destruição, muitos países têm leis sobre antiguidades. Nos Estados Unidos (em inglês), a Lei de Antiguidades proíbe a escavação ou destruição de quaisquer materiais arqueológicos em terras do governo. A lei está em vigor desde 1906 - aproximadamente a época em a arqueologia se tornou uma especialidade acadêmica reconhecida.

No entanto, proteger sítios arqueológicos é difícil, na prática. As localizações de áreas arqueológicas sensíveis são muitas vezes mantidas em sigilo. Outras já são bem conhecidas de saqueadores e exploradores casuais e não há como mantê-las ocultas.

Agências arqueológicas governamentais podem colocar placas proibindo a escavação nesses locais, mas os alertas servem mais para atrair possíveis ladrões quanto à possível presença de tesouros enterrados. 

Alguns países enfrentam problemas para proteger seus artefatos da ação de contrabandistas internacionais. O governo peruano estima que pelo menos US$ 18 milhões em artefatos e objetos sejam roubados e contrabandeados a cada ano no país [fonte: Economist (em inglês)].

Em uma tentativa de fiscalizar as escavações, o Instituto Nacional de Cultura (INC) do Peru (em inglês) registra os sítios históricos e requer que coleções locais de artefatos sejam igualmente registradas. Eles chegaram a formar uma parceria com o Conselho Internacional de Museus - um grupo vinculado à Unesco - a fim de criar uma lista de itens usualmente contrabandeados, na esperança de que comerciantes de arte e funcionários alfandegários reconheçam os bens ilegais que cheguem às suas mãos.

Bronze Age sculptures
Robert Atanasovski/AFP/Getty Images
A polícia da Macedônia recuperou essas esculturas da Era do Bronze junto a contrabandistas de artefatos. As autoridades acreditam que a Macedônia tenha perdido mais de um milhão de artefatos arquitetônicos para o mercado negro europeu desde 1991.

Mas para as pessoas que desejam escavar sem roubar artefatos ou violar leis federais, programas de arqueologia amadora oferecem a chance de trabalhar em sítios ativos reais. O popular programa Escave por um Dia, em Israel (em inglês), cobra dos voluntários pelo acesso ao Parque Nacional de Beit Guvrin, a antiga moradia do rei Herodes. Os visitantes escavam e procuram pedaços de cerâmica, e exploram um complexo de cavernas ainda não escavado.

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