O trabalho do arqueólogo: trabalho de campo e escavação

Autor: 
Sarah Dowdey

É fácil imaginar o arqueólogo em campo - um aventureiro moderno, descobrindo os mistérios do passado antes de partir rumo a um sítio novo e ainda mais fascinante. O processo arqueológico, no entanto, começa muito antes que a pá atinja o chão. Toda escavação envolve anos de estudo, preparação e planejamento.

Archaeologists in Sinop, Turkey
Randy Olson/National Geographic/Getty Images
Arqueólogos em Sinop, Turquia, escavando uma camada datada da Era do Bronze

Alguns arqueólogos consideram que o trabalho de campo envolve todos os processos arqueológicos realizados em campo, da preparação à escavação. Outros definem o trabalho de campo como aquele que precede a escavação propriamente dita. Esse trabalho preliminar inclui tarefas que vão da consulta a fotografias aéreas, velhos mapas e referências físicas na literatura ao uso de métodos de alta tecnologia como a prospecção geofísica, uma técnica que mede a condutividade elétrica do solo.

Essa forma meticulosa de trabalho de campo prepara os arqueólogos para as escavações planejadas. No entanto, nem todas as escavações são planejadas. Alguns dos maiores achados arqueológicos representam simples descobertas afortunadas. Em 1940, quatro estudantes franceses descobriram por acaso uma câmara ornamentada com obras primas do período Alto Paleolítico. Eles estavam simplesmente seguindo um velho túnel cuja entrada ficou exposta devido à queda de uma árvore. Em 1947, um pastor beduíno descobriu o primeiro dos Manuscritos do Mar Morto (em inglês), as mais antigas cópias existentes de qualquer um dos livros da Bíblia, ao sair em busca de um animal extraviado.

Underwater archaeologists in the Philippines
Gilbert Fournier/AFP/Getty Images
Arqueólogos subaquáticos, nas Filipinas, escavam um antigo marco de granito indiano, no local em que um navio naufragou em 1763

Ocasionalmente, achados acidentais podem se tornar escavações. Projetos de construção muitas vezes localizam sítios arqueológicos que devem ser estudados e registrados rapidamente para que os negócios possam continuar. Quando uma cidade tem tantas camadas de história quanto Roma, achados arqueológicos são inevitáveis. Cada solicitação de alvará de construção - e são 13 mil ao ano - requer avaliação arqueológica [fonte: National Geographic (em inglês)]. Ocasionalmente essa abordagem metódica pode paralisar uma cidade. Roma enfrenta dificuldades para atender às demandas de seus 2,8 milhões de habitantes e ao mesmo tempo preservar sua história [fonte: U.S. Department of State (em inglês)].

Mas como a escavação intrinsecamente destrói um sítio, um arqueólogo precisa registrar a posição de cada artefato. Esse registro vem a ser a fonte primária consultada por outros arqueólogos e historiadores, porque a fonte primária propriamente dita - o sítio em si - deixa de existir em sua forma original. O arqueólogo também leva especialistas de outras disciplinas, como a geologia ou a metalurgia para ajudá-lo a analisar os achados.

Na próxima seção, aprenderemos sobre o lado sombrio da arqueologia: contrabandistas, ladrões e amadores trapalhões.

Preserve a data

Para que um artefato tenha significado e relevância, o arqueólogo precisa atribuir uma data a ele. Os arqueólogos já utilizaram diversas técnicas para compreender o passado.

  • Autodatação: um item como uma moeda, que vem com uma data - nada mais é necessário.
  • Datação relativa: a data de um item desconhecido pode ser interpretada com base nas datas conhecidas de itens que o cerquem.
  • Contagem de varves argilosas: a cronologia humana escrita tem apenas cinco mil anos, mas pela contagem de camadas de varves, ou sedimentos laminados que se acumulam a cada ano, os geólogos e arqueólogos podem estender essa cronologia de maneira significativa.
  • Dendrocronologia: ao contar os anéis de crescimento das árvores, os arqueólogos podem compilar uma cronologia ou registro histórico e datar a madeira precisamente.
  • Datação por carbono radiativo: ao medir a atividade do carbono radiativo, ou carbono-14, os arqueólogos podem estabelecer cronologias que remontam até 50 mil anos ao passado.
  • Datação por potássio-argônio: os arqueólogos podem estabelecer a data de minerais e rochas comparando a relação entre o argônio radiativo e o potássio radiativo. A datação por potássio-argônio pode estabelecer cronologias de pelo menos dois milhões de anos. Esse tipo de datação ajudou a determinar a idade dos mais antigos restos humanos.
  • Termoluminescência: ao medir a intensidade da energia luminosa, os arqueólogos podem determinar por quanto tempo uma substância esteve exposta à radiação.