É fácil imaginar o arqueólogo em campo - um aventureiro moderno, descobrindo os mistérios do passado antes de partir rumo a um sítio novo e ainda mais fascinante. O processo arqueológico, no entanto, começa muito antes que a pá atinja o chão. Toda escavação envolve anos de estudo, preparação e planejamento.

Alguns arqueólogos consideram que o trabalho de campo envolve todos os processos arqueológicos realizados em campo, da preparação à escavação. Outros definem o trabalho de campo como aquele que precede a escavação propriamente dita. Esse trabalho preliminar inclui tarefas que vão da consulta a fotografias aéreas, velhos mapas e referências físicas na literatura ao uso de métodos de alta tecnologia como a prospecção geofísica, uma técnica que mede a condutividade elétrica do solo.
Essa forma meticulosa de trabalho de campo prepara os arqueólogos para as escavações planejadas. No entanto, nem todas as escavações são planejadas. Alguns dos maiores achados arqueológicos representam simples descobertas afortunadas. Em 1940, quatro estudantes franceses descobriram por acaso uma câmara ornamentada com obras primas do período Alto Paleolítico. Eles estavam simplesmente seguindo um velho túnel cuja entrada ficou exposta devido à queda de uma árvore. Em 1947, um pastor beduíno descobriu o primeiro dos Manuscritos do Mar Morto (em inglês), as mais antigas cópias existentes de qualquer um dos livros da Bíblia, ao sair em busca de um animal extraviado.

Ocasionalmente, achados acidentais podem se tornar escavações. Projetos de construção muitas vezes localizam sítios arqueológicos que devem ser estudados e registrados rapidamente para que os negócios possam continuar. Quando uma cidade tem tantas camadas de história quanto Roma, achados arqueológicos são inevitáveis. Cada solicitação de alvará de construção - e são 13 mil ao ano - requer avaliação arqueológica [fonte: National Geographic (em inglês)]. Ocasionalmente essa abordagem metódica pode paralisar uma cidade. Roma enfrenta dificuldades para atender às demandas de seus 2,8 milhões de habitantes e ao mesmo tempo preservar sua história [fonte: U.S. Department of State (em inglês)].
Mas como a escavação intrinsecamente destrói um sítio, um arqueólogo precisa registrar a posição de cada artefato. Esse registro vem a ser a fonte primária consultada por outros arqueólogos e historiadores, porque a fonte primária propriamente dita - o sítio em si - deixa de existir em sua forma original. O arqueólogo também leva especialistas de outras disciplinas, como a geologia ou a metalurgia para ajudá-lo a analisar os achados.
Na próxima seção, aprenderemos sobre o lado sombrio da arqueologia: contrabandistas, ladrões e amadores trapalhões.
Para que um artefato tenha significado e relevância, o arqueólogo precisa atribuir uma data a ele. Os arqueólogos já utilizaram diversas técnicas para compreender o passado.
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