A história da arqueologia

Hoje, a arqueologia é uma ciência exata. As ferramentas dos arqueólogos incluem a datação por carbono radiativo e a prospecção geofísica. A disciplina é fortemente influenciada e possivelmente propelida pelas ciências humanas, tais como a História e a História da Arte. Mas sua base é intensamente metódica, técnica. No entanto, a arqueologia nem sempre foi precisa. De fato, ela nem sempre foi uma ciência.

A arqueologia se originou na Europa (em inglês) do século 15 e 16, com a popularidade das atividades de coleção e a ascensão do humanismo, uma forma de filosofia racionalista para a qual a arte tinha valor muito elevado. As curiosas elites da Renascença colecionavam antiguidades gregas e romanas, e as consideravam mais como obras de arte do que como artefatos históricos.

Ruins of the Temple of Hadrian
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Ruínas antigas como as do Templo de Adriano, na costa da Turquia no Mar Egeu, atraíam a atenção das elites do Renascimento

O desejo de antiguidades e um interesse pelo passado logo levaram a escavações patrocinadas e ao desenvolvimento da arqueologia clássica. Herculano e Pompéia, as duas famosas cidades destruídas e preservadas pela erupção do Monte Vesúvio, no ano 79, foram escavadas em parte porque a rainha de Nápoles desejava mais estátuas antigas.

A invasão do Egito (em inglês) por Napoleão Bonaparte, em 1798, deu início a uma nova era da arqueologia. A fim de compreender o povo egípcio e seu passado, Napoleão levou com ele na expedição um verdadeiro instituto de pesquisa com 175 estudiosos, o Instituto do Egito, ou Comissão Artística e Científica. Junto com a expedição iam também uma biblioteca móvel, instrumentos científicos e equipamento de medição. Em 1809, os estudiosos e cientistas publicaram "Descrição do Egito", um livro ilustrado que ajudou a criar uma mania por tudo que se relacionava ao Egito. Em 1822, Jean-François Champollion conseguiu decifrar a Pedra de Roseta e revelou ao mundo os segredos dos hieróglifos egípcios.

Napoleon in Egypt
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Os estudiosos levados por Napoleão revolucionaram o estudo da arqueologia no Egito

A arqueologia científica continuou a se desenvolver no século 19, com avanços nos estudos da geologia e da biologia. Charles Lyell ajudou a difundir o moderno sistema geológico da estratigrafia uniforme, que deu aos arqueólogos uma escala temporal confiável para a datação de itens. O trabalho de Lyell e a publicação de "A Origem das Espécies", de Charles Darwin, em pouco tempo popularizariam a idéia de evolução. A crença na antiguidade do homem gerou uma explosão no estudo da arqueologia pré-histórica.

O século 20 se iniciou com desdobramentos radicais no campo: a publicação de "Métodos e Metas da Arqueologia", por Flinders Petrie, em 1904, estabeleceu um método sistemático de escavação. Achados imensos como o da tumba do rei Tutancamon, em 1922, ou a descoberta das tumbas reais de Ur, em 1926, o que trouxe à vida toda a esquecida civilização suméria, ajudaram a emprestar glamour à arqueologia. Os arqueólogos começaram a trabalhar em outras áreas que não o Oriente Próximo, a Europa e o Mediterrâneo, e o assunto, enfim, tornou-se disciplina acadêmica.

Na próxima seção, escavaremos a fundo o trabalho de um arqueólogo.