O cano

Autor: 
Marshall Brain

O cano de uma arma de pederneira se tornou uma maravilha tecnológica, especialmente naquela época. Um ferreiro batia um pedaço de ferro liso a fim de lhe dar forma cilíndrica em volta de um mandril (bastão longo de diâmetro adequado ao que se quer tornear). Esquentando o ferro em uma forja a uma determinada temperatura, o ferreiro caldeava o sulco ao longo do comprimento do cano para formar um tubo forte. Este processo podia levar dias. Os canos variavam desde o comprimento de uma pistola (de 15 a 30 cm) até o comprimento de uma arma grande (102 a 152 cm).

O ferreiro podia dar acabamento interior ao cano com um cilindro liso ou um cilindro raiado. Um cilindro liso é exatamente isso: um bastão liso de ponta a ponta. O Brown Bess da Guerra da Independência Americana era de "alma lisa", assim como qualquer espingarda. Ele é feito furando o tubo com brocas sucessivamente maiores e depois polindo-o com um mandril.

Raiar o cano é uma forma de aumentar a precisão do projétil, seja ele esférico ou cônico. Para raiar um cano, começa-se com um cilindro liso, burilando ranhuras em espiral por dentro do cano. Um desenho comum é o de raias curvadas em 122 cm no comprimento do cano. Quando o projétil é disparado através do cano, ele se encaixa nas raias, saindo em um giro rápido (entre 1 mil e 3 mil RPM) e voando em velocidades que variam de 305 a 600 metros por segundo.

Pode-se ver as raias em espiral cortadas neste cano

Depois que o cano foi alisado ou raiado, uma das extremidades é fechada com um fechamento de culatra. Depois disso, um buraco pequeno é feito para permitir que a chama do cartucho da fecharia de pederneira entre e acenda a carga.