O que acontece quando ele entra no corpo?

Em análise celular, uma bactéria do antraz se parece com uma vara de bambu cheia de nós. Quando ela entra no corpo e encontra o ambiente de que necessita, move-se para os nódulos linfáticos. De lá ela começa a se multiplicar e a produzir uma toxina que ataca as células humanas, resultando em hemorragia, inchaço, queda da pressão arterial e, finalmente, a morte.


Foto cedida pela Public Health Image Library
Bactérias do antraz (Bacillus anthracis), com corante

A maneira como ele ataca as células e o que faz exatamente foi debatida por muitos anos. Pesquisas que começaram em meados dos anos 80 revelaram alguns fatos interessantes sobre o comportamento da bactéria do antraz quando encontra um hospedeiro.

Os pesquisadores descobriram que há três proteínas criadas pela bactéria do antraz. Essas proteínas são inofensivas individualmente, mas juntas podem ser mortais. Essas proteínas são chamadas de:

  • antígeno protetor (AP)
  • fator edema (FE)
  • fator letal (FL)
Quando elas são liberadas, o antígeno protetor se une à superfície da célula e forma um tipo de canal na membrana celular que permite a entrada do fator edema e do fator letal. O fator edema, quando combinado com o antígeno protetor, forma uma toxina conhecida como a toxina edema. O fator letal, quando combinado com o antígeno protetor, forma uma toxina conhecida como a toxina letal, que causa os maiores danos dentro da célula.

Uma pesquisa realizada em 1998, por George Vande Woude, no National Cancer Institute (Instituto Nacional do Câncer) em Frederick, MD, revelou pistas sobre o que a toxina letal faz às células. Ele descobriu que o fator letal corta as enzimas em duas (as enzimas são responsáveis pela transmissão de sinais dentro das células) e identificou a enzima em questão. Ele estava estudando o caminho da quinase proteica ativada por mitógenos (MAPK), que ajuda a controlar o crescimento celular, o desenvolvimento embrionário e a maneira pela qual os ovócitos (ovos) amadurecem. Vande Woude procurava especificamente por informações sobre o caminho percorrido no ciclo de maturação do ovócito; assim, procurou compostos que bloqueassem a atividade de MAPK. Uma busca em um banco de dados o levou ao fator letal.

Ainda não se compreende completamente por que a interrupção da transmissão do sinal dentro da célula resulta nos sintomas gerados pelo antraz, mas a pesquisa continua. Também está sendo feita uma pesquisa para descobrir maneiras de alterar o antígeno protetor para incapacitá-lo de permitir a entrada das toxinas letal e edema nas células.