O primeiro debate do Latitude 90º

A abertura da exposição Latitude 90º contou no primeiro dia com um debate sobre aquecimento global no teatro do Sesc Pompéia, a partir das 20h. O tema era Aquecimento Global:o impacto nos pólos e em nossa realidade. Participaram Juan José Dañobeitia, diretor da Unidad de Tecnologia Marina de España, Luiz Gylvan Meira Filho, um dos principais representantes do Brasil no Painel Intercontinental sobre Mudanças Climáticas - IPCC e Marcelo Furtado, diretor do Greenpeace. A mediação foi feita por Angélica Pretto, Instituto Governos pela Sustentabilidade, Iclei.

Obviamente, não dá nas poucas linhas da internet para mostrar tudo o que aconteceu no debate que acabou por volta das 22h30 com uma platéia cheia de cientistas e curiosos. Só para você ter uma idéia do que foi, vamos passar algumas aspas dos palestrantes.

Debatedores
Luís Indriunas
Gylvan Meira, Furtado, Pretto e Dañobeitia

Dañobeitia
falou sobre as questões do aquecimento global traçando um panorama de curto e longo prazo. Suas explanações foram todas pautadas por dúvidas e questionamentos mais do que conclusões definitivas. Além disso, ele mostrou um pouco do que a Espanha tem feito nos dois pólos e durante o Ano Polar. Veja alguns trechos.

“Quando se fala de aquecimento global, há muito informação e pouco conhecimento. O conhecimento nada mais é que a análise crítica da informação.”

“Não está correto falar em aquecimento global, mas em mudanças climáticas que são constantes na Terra desde o início de sua existência.”

“Esse gráfico mostra que os pólos diminuíram seus tamanhos em 10% a 15% entre 1979 e 2003.”

“Veja a concentração das emissões de dióxido de carbono no hemisfério norte.”

“Infelizmente, não conseguimos fazer todas as operações das bases espanholas na Antártica com energias alternativas, mas, pelo menos, no inverno, usamos apenas as energias eólica e solar para manter as operações.”

“Como somos cientistas, temos que sempre questionar as afirmações consideradas verdadeiras. Uma delas é que nos próximos oito anos é que há uma tendência de resfriamento da Antártica.”

Gylvan Meira mostrou, no entanto, que está constatado o efeito da aceleração das mudanças climáticas por causa da ação do homem e fez uma palestra mostrando a necessidade de mudanças políticas profundas e de longo prazo.

“Não há como fugir que retirando as ações antrópicas o aumento da temperatura da Terra seria muito menor.”

“É impossível evitar completamente as mudanças climáticas, mas é precisa debater claramente o que cada um pretende.”

“Mesmo se os países conseguirem reduzir em 60% as emissões de gases poluentes em relação aos níveis de 1990, a temperatura da Terra deve subir cerca de 2º C em média nos próximos 100 anos”.

“A preservação dos oceanos é extremamente importante, mais que o reflorestamento, para a absorção do excesso de carbono”.

“As políticas de diminuição das emissões de gases poluentes devem mexer com 1% do PIB mundial. Veja bem deve mexer não diminuir”.

“É preciso pensar nas mudanças na sociedade como um todo, não a partir dos governos. Os governos e os economistas pensam apenas em curto prazo, cerca de cinco anos.”

“Você pode escolher a língua: grego ou latim. A questão da diminuição das emissões pode ser tanto um questão ética quanto moral”.

Com o tempo escasso para a palestra, Furtado, do Greenpeace, falou rapidamente sobre as ações que fizeram na Antártica a cinco anos atrás. E contou também que a ong ambientalista entrou na semana passada com uma ação contra o governo norte-americano para evitar que se inicie as pesquisas para a exploração de petróleo pelo país em território antártico. “Estão jogando fora o Tratado da Antártica”. Para finalizar, Furtado pediu apenas uma ação da platéia do Sesc, que “todo mundo se levante”. Quando todos se levantaram, concluiu: “agora à ação”.

Ah, só para registrar na platéia de quinta estava a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe, Neusa Paes Leme, a autora do blog Verão Abaixo de Zero, do ComoTudoFunciona, e coordenadora brasileira do Ano Polar.