Ao contrário do que muita gente pensa, o nome "bissexto" não vem do fato de o número de dias do ano (366) terminar em 66. A explicação é bem mais complexa.
Em um ano bissexto, o dia extra não é o 29. Na época dos primeiros anos bissextos a intersecção era feita de acordo com os interesses do Império Romano. O primeiro mês do ano era março, quando começava a primavera (“prima” significa primeira, e “vera”, estação). O primeiro dia de março se chamava “calendas de março”. Foi daí que veio a palavra calendário.
Fevereiro era, então, mês de virada de ano e o costume da época era festejar o ano novo durante os últimos cinco dias do mês. Se o dia extra fosse colocado no fim de fevereiro, o período de folga seria prolongado e o Império Romano não gostou dessa idéia. Foi decidido que a intersecção aconteceria no meio dos dias de trabalho.
O dia 23 de fevereiro era o sexto dia antes do ano novo. Quando o ano era bissexto, um dia útil a mais era colocado na seqüência e tanto o 23 quanto o 24 eram chamados pelas autoridades de “sexto dia antes da calendas de março” (em latim, “antediem sextum Calendas Martii”). O nome "bissexto" vem daí: o ano tinha dois “sextos” antes da calendas de março.
As pessoas que fazem aniversário em 29 de fevereiro têm um problema técnico: só podem comemorar no dia exato uma vez a cada 4 anos - caso dos 6.337 brasileiros que nasceram nesse dia no ano bissexto de 2004. Nos anos que não são bissextos, eles têm de optar pelo dia 28 de fevereiro ou 1º de março. Alguns pais de nascidos nesse dia especial preferem registrá-los no dia anterior ou seguinte, para evitar que isso aconteça. Mas essa é uma escolha feita por mera conveniência, já que nenhum cartório proíbe o registro no dia 29.
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Existe também um mito em torno desse dia: muitos acham que pode ser sinal de mau agouro para quem nasce nele. Isso não passa de lenda, pelo menos na opinião de Roberto Machado, numerólogo presidente fundador da Associação Brasileira de Numerologia, e Antonio Facciollo Neto, presidente do Sindicato dos Astrólogos do Estado de São Paulo.
“É tudo abobrinha”, diz Facciollo. “Do ponto de vista astrológico, não há nada de errado nem com o ano bissexto, nem com o dia 29 de fevereiro”. O problema do ano bissexto é meramente matemático e isso não faz a menor diferença no calendário zodíaco. O mesmo vale para a numerologia: não há nenhuma influência especial do dia ou do ano na soma que define o mapa numerológico natal da pessoa.
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