Como funcionam os animais

De modo geral, cada animal é adaptado para existir em um determinado ambiente e pode ser incapaz de sobreviver ou de se reproduzir em outros lugares. O ambiente inclui fatores como temperatura; luz; umidade; pressão atmosférica e pressão da água; e teor de gás e mineral do ar, da água e do solo. Por exemplo, um peixe não consegue viver na terra; também não consegue viver na água que está com a temperatura errada ou que não tem o tipo de alimento que ele come; além disso, não consegue viver a uma profundidade onde seu corpo não pode suportar a pressão da água.

Os diversos fatores do ambiente onde um animal vive podem não ser sempre os mesmos. A maioria dos animais é adaptada para resistir a certas variações ambientais. Por exemplo, as aves e os mamíferos mantêm uma temperatura interna razoavelmente constante, apesar das mudanças acentuadas do ambiente externo. Tais animais são popularmente chamados de animais de sangue quente ou homeotérmicos. Entretanto, alguns animais de sangue quente podem entrat em um estado de inatividade conhecido como hibernação durante as estações frias. Os invertebrados, os peixes, os anfíbios e os répteis não têm um meio interno de regular sua temperatura e não conseguem sobreviver às grandes variações de temperatura. São popularmente chamados de animais de sangue frio ou pecilotérmicos.

Anfíbios
Os anfíbios são animais de sangue frio

Migração

Muitas aves, alguns insetos, peixes e mamíferos saem regularmente de um lugar para outro para se adeqüar às variações ambientais, ou as suas necessidades a certas mudanças no ambiente. Esses movimentos periódicos, que normalmente são sazonais, chamam-se migrações. Alguns animais aparentemente migram para se alimentar. Quando chega o inverno, por exemplo, muitos animais que se alimentam de plantas ou de insetos do Hemisfério Norte vão para o sul, onde há abundância desses alimentos. Os cervos, os alces e algumas aves que passam o verão no alto das montanhas, migramno inverno, para áreas mais baixas e menos frias.

Alguns animais migram para encontrar condições adequadas para a reprodução. Tais condições podem incluir disponibilidade de locais e materiais para fazer ninho (nidificar), além de temperaturas apropriadas para acasalamento, nascimento e criação dos filhotes. Algumas espécies de baleias migram até 18 mil quilômetros das águas geladas para as mais quentes no período de reprodução. Certas espécies de salmão migram apenas duas vezes, sendo que os mais jovens dessa espécie deixam as correntezas de água doce, onde foram desovados, e percorrem o oceano, onde se desenvolvem até a maturidade. Em seguida, migram do oceano para botar ovos nas águas onde nasceram e morrem após a reprodução.

Cobertura, proteção e ninhos

Os ambientes de muitos animais incluem cobertura e proteção. O capim alto dá cobertura a muitos animais terrestres, como antílopes, leões, cobras e pássaros. O peixe se abriga entre a base das plantas aquáticas, e mesmo o grande hipopótamo pode se esconder sob as folhas da vitória-régia submergindo até as narinas. Além disso, um animal pode se proteger contra os inimigos subindo em árvore ou se enfiando em um buraco no chão ou em um casco oco. Os gorilas e os chimpanzés se abrigam em árvores à noite, construindo plataformas temporárias com galhos e folhas para dormirem. Os ursos e os morcegos estão entre os animais que gostam de cavernas para dormir e criar seus filhotes.

Alguns animais constroem lugares especiais chamados de ninhos, onde botam os ovos e cuidam da cria. As aves podem fazer ninhos em uma série de lugares, como orlas rochosas, árvores, arbustos ou moitas. Alguns peixes escavam ninhos na lama ou nos pedregulhos no fundo dos tanques ou do mar. Os cupins constroem "montes" de terra grandes e bem elaborados, onde procriam, abrigam-se e guardam comida.

Habitat e distribuição

O ambiente natural de um organismo é chamado de habitat. O termo é aplicado às três grandes zonas de vida: água salgada (divididas em zonas rasa e profunda), água doce (água corrente e água parada), e terra (dividida em zonas de vegetação ou climáticas). O termo também é usado mais especificamente. Por exemplo, o habitat de certos besouros que vivem na terra é a zona da floresta tropical e, mais especificamente, embaixo de madeiras podres.

Nenhum animal em particular é encontrado em todos os lugares em que conseguiria sobreviver. É encontrado somente em um certo espaço, ou área de distribuição. A distribuição é limitada pelas barreiras climáticas e geográficas, como água (para os animais da terra), terra (para os animais da água), grandes montanhas e temperaturas extremas, e pelas barreiras biológicas, como ausência de comida ou presença de predadores. O aumento da população, as mudanças climáticas e a redução dos habitats estão entre outras influências sobre a distribuição populacional, forçando os animais a ampliar seu espaço ou sair de uma área para outra. Os espaços, às vezes, são ampliados quando a mudança das condições faz com que novas áreas se tornem apropriadas.

Quando os espaços dos vários animais não domesticados, especialmente os mamíferos, são marcados em um mapa-múndi, ficam evidentes as várias regiões distintas, cada qual com uma composição única de fauna selvagem. Essas regiões são chamadas de zoogeográficas. Podem ser feitos mapas semelhantes mostrando as áreas das espécies de plantas não domesticadas. Tais regiões são chamadas de fitogeográficas.

Quando os espaços dos animais e plantas não domesticados são marcados juntos no mapa, essas regiões são conhecidas como biogeográficas. Embora existam muitos animais, como morcegos e camundongos, que têm uma distribuição mundial, e muitos animais que coincidam entre duas ou mais regiões, a combinação de animais encontradas em cada região é distinta. Além disso, cada região possui certos animais que não são encontrados em outras.

Não há um consenso entre os biólogos em relação à quantidade existente dessas regiões nem à forma como deveriam ser chamadas, mas a maioria aceita as regiões descritas a seguir.

  • Região paleártica - inclui a maior parte da Europa, as regiões central e norte da Ásia, o norte da África até o deserto do Saara, e a maior parte da China. Os animais exclusivos dessa região são a ratazana-toupeira e o ouriço.
  • Região neártica - abrange os Estados Unidos, o Canadá, a Groelândia, a Islândia e a parte norte do México. Os animais encontrados exclusivamente nessa região são o cabrito montês, o carneiro almiscarado e o bisão americano.
  • Região etíope - inclui a maior parte da África e a Arábia. Lá, a zebra, o elefante africano e o gorila são únicos.
  • Região oriental - consiste nas áreas tropicais da Ásia, incluindo Bornéu, Filipinas e a maior parte da Índia. Os animais nativos somente dessa região são o gibão, a tupaia e o társio.
  • Região neotropical - inclui o sul do México, a América Central e a América do Sul. Exclusivos dessa região são a preguiça, os macacos do Novo Mundo e o tamanduá gigante.
  • Região australiana - abrange a Austrália, a Nova Guiné e algumas ilhas menores do arquipélago malaio. Lá, o vombate, o canguru e o coala são únicos.

Muitos animais diferentes podem dividir o mesmo habitat
Muitos animais diferentes podem dividir o mesmo habitat