O papel da genética na evolução paralela

Há duas coisas a considerar sobre o papel da genética na evolução paralela. A primeira é que o código genético para uma determinada espécie pode conter o potencial para muitas estruturas complexas que não estão realmente expressas naquele organismo.

Imagine uma equipe de construção construindo uma casa. A planta pode conter as instruções para construir um cômodo adicional atrás da casa mas, a menos que o arquiteto diga à equipe para construir aquele cômodo, eles construirão somente a casa básica, sem o adicional. Nosso equivalente genético ao arquiteto seria uma outra mutação que ativa a porção do DNA necessária para realmente expressar uma característica.

lion's mane jellyfish
Jeff Rotman/The Image Bank/Getty Images
As águas-vivas têm uma estrutura física radial, mas seus genes contêm código para uma estrutura bilateral

Águas-vivas e anêmonas são animais com estrutura física radial - elas não têm lado direito ou esquerdo. Entretanto, foi encontrado no seu código genético um marcador para estrutura física bilateral [fonte: Ars Technica (em inglês)]. Por alguma razão, isso não está expresso em alguns membros da família das águas-vivas.

Por que isso é importante para a evolução paralela? Porque mostra que organismos muito primitivos podem ter ferramentas genéticas disponíveis para criar maior complexidade. À medida que os organismos evoluem, espécies separadas podem desenvolver características similares porque o potencial para aquelas características estava lá desde o início.

Outro fator a se considerar é a evidência experimental. Recentemente, biólogos passaram pela morfologia nos seus exames da evolução paralela. Eles descobriram evidências de que, pelo menos em alguns casos, as similaridades morfológicas foram equilibradas pelas similaridades genéticas. As interações químicas de proteínas e aminoácidos que causam as mudanças morfológicas foram também as mesmas em duas espécies que foram isoladas uma da outra por milhões de anos [fonte: ScienceDaily (em inglês)].

Mais convergências

O tilacino, também conhecido como tigre-da-Tasmânia, é normalmente usado como exemplo de evolução convergente. Agora extinto, o tigre-da-Tasmânia ocupou o mesmo nicho ecológico que os predadores caninos em outras partes do mundo. Apesar de não terem quase nenhuma relação evolutiva, os tigres-da-Tasmânia e os lobos cinzentos têm morfologia muito similar, são aproximadamente do mesmo tamanho e compartilham muitas características.

Provavelmente você pode ver um exemplo de evolução convergente bem do lado de fora de sua janela. Há dezenas de milhares de espécies de plantas, muitas delas sem parentesco umas com as outras. Além disso, espécies de plantas por todo o mundo desenvolveram folhas. Embora existam folhas de formas e tamanhos variados, todos conhecemos uma folha quando encontramos uma porque elas são todas muito parecidas. Obviamente há casos de evolução divergente das folhas (as agulhas do pinho, por exemplo), o que torna ainda mais fascinante a evolução das espécies.

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