O ambiente molda as espécies

A situação descrita com os esquilos voadores é conhecida como evolução paralela. Isso acontece quando duas espécies relacionadas se separam uma da outra, evoluem em lugares e circunstâncias diferentes e, ainda assim, acabam desenvolvendo características iguais. Quando duas espécies diferentes compartilham várias características, isso é conhecido como similaridade morfológica. Quando duas espécies sem nenhuma relação desenvolvem similaridade morfológica, isso se chama evolução convergente. Às vezes é impossível definir de que tipo de é porque não se tem o conhecimento completo do registro evolutivo. Não se tem como como saber o quão intimamente duas espécies eram relacionadas há milhões de anos.

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polar bear and cub
Jeff Foott/Discovery Channel Images/Getty Images
O nicho ecológico de um urso polar está no topo da cadeia alimentar do nevado Ártico

A simples razão para a ocorrência de evolução paralela é que ambientes similares e as pressões de populações similares realmente levam espécies diferentes a evoluir com características similares. Uma característica bem sucedida em um lugar será bem sucedida em outro. Mas isso realmente não explica tudo, afinal de contas, há milhões de espécies na Terra e muitas não se parecem em nada umas com as outras. Por que somente algumas espécies apresentam evolução paralela ou convergente?

Isso tem a ver com a maneira como a seleção natural (em inglês) funciona. Uma espécie pode mudar de uma geração para outra devido a mutações no código genético ou recombinação da informação genética pela reprodução sexual. Essas mudanças genéticas se apresentam como características novas ou alteradas. Uma mutação pode determinar que uma espécie de urso tenha o pêlo com colorido mais claro, por exemplo. As características que dão a um organismo uma chance maior de sobreviver tempo suficiente para reproduzir têm mais probabilidade de serem passadas para futuras gerações, enquanto que características mal sucedidas não serão passadas com tanta freqüência. Assim, ao longo do tempo, a média de características em uma população de organismos muda - as características mais benéficas se apresentam com maior freqüência.

Conseqüentemente, essas características benéficas acumuladas tornam o organismo muito bem adaptado para funcionar dentro de um determinado ambiente: é o nicho ecológico da espécie. Os animais se adaptaram a viver com sucesso dentro de um nicho, mas provavelmente não se adaptariam tão bem fora dele. O nicho de um urso polar está no topo da cadeia alimentar no clima frio e nevado do Ártico. Um urso polar que tentasse viver como um animal da savana africana não se sairia bem.

Os organismos que têm mais probabilidade de apresentar evolução paralela ou convergente são os que ocupam nichos ecológicos similares. A savana da África e as planícies da América do Norte são ambientes semelhantes - levemente áridos, planos e cobertos de grama. O mesmo nicho existe em ambos os lugares: mamíferos grandes, herbívoros, que vivem em rebanhos e pastam na grama. Gnus e o gado norte-americano evoluíram longe um do outro, mas têm incrível similaridade morfológica. Nenhuma das espécies evoluiu para ursos polares - isso não faria sentido. A seleção natural reforçou as características que fizeram essas espécies terem sucesso dentro de seu nicho. Considerando que o nicho foi o mesmo, não é uma grande surpresa que as espécies se pareçam.

Parte da evolução convergente não depende de nichos ecológicos porque as características são muito vantajosas para uma grande quantidade de organismos. Todos os carnívoros, independente de onde vivam, desenvolveram dentes afiados. Pássaros, morcegos e muitos insetos desenvolveram habilidade para voar: todos voam de maneiras diferentes e por razões diferentes, mas o vôo é tão benéfico que aparece por todas as partes.

A evolução paralela é bastante comum no nível morfológico, mas que papel desempenha o processo genético subjacente? Vamos descobrir.