Informações sobre a vida em ilhas

Em meados de setembro de 1995, o Furacão Marilyn atingiu o Caribe (em inglês). A tempestade matou pelo menos 13 pessoas e causou mais de US$ 2 bilhões em prejuízos. Muitas pessoas perderam suas casas por causa da força do furacão. Mas nem todos os afetados pelo furacão eram humanos. Acredita-se que um grupo de 15 iguanas verdes foram da ilha de Guadalupe (em inglês) para Anguilla (em inglês) após se agarrarem aos escombros da tempestade por três semanas. Quando as iguanas verdes se estabeleceram em Anguilla, tornaram-se membros fundadores em potencial de uma nova espécie.

Caso o processo de especiação realmente ocorra, pode demorar um pouco, se os gradualistas estiverem certos. Ou então, ele pode acontecer rapidamente, de acordo com os seguidores do equilíbrio pontuado. Obviamente, as iguanas podem não viver o suficiente para se desenvolver no novo ambiente, se forem incapazes de se adaptar rapidamente às diferenças da vida em Anguilla.

Mas o estabelecimento do novo ambiente das iguanas diz muito sobre o isolamento evolucionário. Na ilha, as iguanas estão isoladas fisicamente e podem evoluir para se tornar isoladas da reprodução com outros membros de sua espécie. As ilhas representam o ponto máximo de isolamento. Dessa maneira, viver em ilhas produziu variações radicais no fenótipo, ou seja, nas características especiais entre as espécies. Foi descoberto que tanto o gigantismo quanto o nanismo são resultados da especiação.

Os dragões de Komodo são exemplos da regra da ilha.
Steve Finn/Getty Images
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Os dragões de Komodo, como Raja, exibido no zoológico de Londres, são exemplos das proporções gigantescas que as espécies insulares podem crescer em comparação aos seus primos do continente

­ Talvez nenhum exemplo de desenvolvimento radical com relação aos menores tenha sido tão documentado quanto o caso do Homo floresiensis. Em Flores, ilha da Indonésia (em inglês), foi descoberta uma pequena caveira em 2005. Era tão pequena quanto a caveira de um chimpanzé, e os descobridores achariam que se tratava disso mesmo, não fosse pelas várias ferramentas primitivas encontradas ao seu redor. Essas ferramentas sugeriam que a caveira pertenceu a um humano, ou pelo menos a algo relativo. Mas, para uma caveira tão pequena, o ser humano deveria ser minúsculo. Testes feitos com a caveira revelaram que a pessoa à qual pertenceu viveu há 18 mil anos em Flores. Pelo tamanho dela, os pesquisadores que a encontraram acharam que a pessoa tinha pouco mais de 1 m de altura. As novidades sobre a descoberta surpreenderam o mundo científico, e até despertou a imaginação de uma parte do público em geral.

O desafio agora é descobrir se a caveira representa ou não um novo tipo de ser humano. Pesquisadores da Penn State University acreditam que a caveira encontrada representa um Homo sapiens que sofria de uma doença evolucionária, microcefalia (em inglês), assim como o grupo Amish na Pensilvânia. Mas a noção de que um grupo de humanos pequenos, diferentes do Homo sapiens evoluíram em uma ilha é um exemplo do que se chama lei da ilha, generalização sobre especiação na qual os animais que vivem em ilhas crescem muito menos ou mais do que seus primos do continente.

Os biólogos ainda estão tentando explicar o motivo disso. A explicação mais lógica é que as pressões ambientais de uma ilha são muito diferentes em comparação as do continente. O tamanho menor das ilhas oferece menos fontes de alimentação. Isso parece explicar o nanismo encontrado em diversas espécies. Mas e aqueles que crescem em proporções gigantescas, como o dragão de Komodo? É possível que essas espécies se desenvolveram maiores que seus primos porque as ilhas têm menos predadores e há menos competição pelas fontes de alimentação disponíveis.

A teoria que prevalece com relação à regra da ilha é que diversos fatores ambientais do local causam a evolução dos animais isolados, tornando-os maiores ou menores. É possível que não exista um princípio básico responsável por todas as evoluções que ocorrem em ilhas. Talvez as iguanas recém-chegadas em Anguilla contribuam para a explicação da regra da ilha, bem como da especiação.

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