Faça uma pausa em sua leitura por um momento e observe o ambiente que o cerca. Você vê com clareza os objetos sólidos, como o computador, a mesa e a impressora. Os líquidos - o refrigerante em seu copo e a água do aquário - são visíveis com a mesma clareza. Mesmo materiais que parecem invisíveis, como odores e correntes de ar, podem ser detectados pelos demais sentidos. Todas essas "coisas" que os cientistas designam matéria são compostas por moléculas, ou combinações de átomos. A química analítica gosta de dividir moléculas em seus átomos constituintes ou simplesmente determinar que moléculas ou átomos compõem determinada substância.
![]() Argonne National Laboratory Uma investigador prepara amostras para espectrometria de massa |
Tomem como exemplo a espectrometria de massa, uma técnica comprovada. Suponha que um biólogo queira saber que toxinas estão presentes em peixes contaminados. Ele poderia tomar uma pequena porção de tecido muscular do peixe e dissolvê-la em um solvente líquido. Depois, colocaria o líquido em um recipiente no espectrômetro de massa. De lá, o líquido seria conduzido a uma câmara de ionização, na qual seria bombardeado por um feixe de elétrons. O bombardeio converteria os átomos e moléculas da amostra em partículas dotadas de carga elétrica conhecidas como íons. O biólogo usaria campos elétricos e magnéticos para separar os diversos íons de acordo com sua massa ou carga elétrica, e assim revelaria toxinas específicas, como DDT, presentes no peixe.
Nos últimos anos, o laser, usado como agente de estímulo, se tornou ferramenta valiosa de análise química. As diversas técnicas que envolvem lasers usadas na análise de substância se enquadram em duas grandes categorias: métodos de detecção ópticos e não ópticos.
Por exemplo, uma técnica de análise não óptica que utiliza o laser permite que os cientistas na verdade "ouçam" os diferentes elementos. Ela é conhecida como fotoacústica por pulso de laser, e envolve dirigir um laser a uma amostra. À medida que a amostra absorve a energia do laser, se aquece e expande, criando uma onda de pressão acústica. Um transdutor piezelétrico, que converte vibrações mecânicas em pulsos elétricos, ouve essas ondas e ajuda os químicos a identificar as moléculas presentes na amostra.
A espectrometria de mobilidade de íons, ou IMS, é outro método não óptico. Na IMS, um laser inicialmente extrai por abrasão partículas diminutas da superfície de uma amostra, antes de ionizar o material. Os íons criados pelo bombardeio da amostra com lasers são introduzidos em um fluxo de gás em rápido movimento. Os cientistas medem a velocidade dos íons ao atravessar a corrente gasosa, que é afetada pela forma e tamanho dos íons.
A análise por laser baseada em métodos de detecção óptica é conhecida como espectroscopia a laser. A espectroscopia envolve estimular uma amostra e depois analisar o espectro resultante - a gama de radiações eletromagnéticas emitidas ou absorvidas. A espectroscopia é tão vital como ferramenta analítica que merece ser observada de mais perto. Na próxima página, vamos aprender alguns fatos básicos sobre a espectroscopia para compreender de que maneira a assinatura eletromagnética de todo elemento pode funcionar como impressão digital (em inglês).