Se já houve um elemento visto como "fadado ao fracasso", o alumínio seria um forte candidato. Ainda que antigos oleiros persas usassem esse metal para reforçar sua argila para a produção de cerâmica, o alumínio puro só foi descoberto em 1825. Naquele tempo, os seres humanos já usavam diversos metais e ligas metálicas (ou misturas de metais como o bronze) há milênios.
![]() © istockphoto.com / Marcus Lindström O alumínio em sua forma mais reconhecível |
Foi então que, em 1886, o norte-americano Charles Martin Hall e o francês Paul L. T. Heroult, trabalhando independentemente, desenvolveram um método para extrair alumínio do óxido de alumínio. O processo, uma forma de redução eletrolítica, requeria imenso volume de energia elétrica, mas produzia largas quantidades do metal prateado. Em 1891, a produção de alumínio já passava das 272 toneladas [fonte: Alcoa (em inglês)]. E o metal começou a encontrar mercado em diversos produtos, como panelas, lâmpadas, linhas elétricas, carros e motocicletas.
Hoje, passado mais de um século, o alumínio se tornou um símbolo de onipresença. Os Estados Unidos produzem mais de 5,1 milhões de toneladas do metal ao ano [fonte: Instituto Internacional de Alumíno (em inglês)]. E boa parte é usado para produzir latas de cerveja e refrigerantes - à razão de 300 milhões de latas de bebidas de alumínio a cada dia ou 100 bilhões por ano [fonte: Instituto de Fabricantes de Latas (em inglês)]. Nada mal para um elemento que passou despercebido por tanto tempo.
Neste artigo, estudaremos mais de perto o alumínio - suas propriedades, ocorrência e comportamento. Também examinaremos seu ciclo de vida, desde sua produção com o método Hall-Heroult à sua reencarnação pós-reciclagem. E, por fim, exploraremos todos os usos do metal, entre os quais alguns usos futuros que podem surpreender.
Vamos começar com fatos básicos: o alumínio do ponto de vista químico.