O HowStuffWorks discutiu sobre o plano da China de impedir que chova durante as cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim (em inglês). O processo, chamado de semeadura de nuvens, que funciona espargindo iodeto de prata em nuvens chuvosas nos dias que antecedem o evento. O governo chinês espera que possa, essencialmente, "utilizar" as nuvens existentes e garantir céus claros para a cerimônia.
O país vem fazendo isso há décadas - com resultados positivos. Entretanto, um outro experimento na semeadura de nuvens, no outro lado da terra da Eurásia, não deu tão certo assim.
Logo após a Segunda Guerra Mundial (em inglês), o governo britânico ainda estava procurando maneiras de passar a perna nos inimigos militares. Os Nazistas haviam chegado perto da destruição da Grã Bretanha e o Reino Unido havia desenvolvido um gosto pela preparação. O governo britânico procurava por uma vantagem nos céus. A Real Força Aérea (RAF) começou a fazer experimentos com a semeadura. Ao impregnar as nuvens com as partículas necessárias para a criação de uma forte tempestade, os britânicos poderiam, com eficácia, frustrar os movimentos das tropas e, até mesmo, literalmente, destruir com a chuva os avanços do inimigo. Entretanto, o projeto de semeadura de nuvens deu terrivelmente errado.
![]() Arquivo Hulton/Getty Images A Força Aérea Britânica conduziu testes de semeadura de nuvens secretos logo após a Segunda Guerra Mundial. Os resultados foram desastrosos |
Não é que os experimentos com a semeadura de nuvens não tenham funcionado. Funcionaram bem demais.
Em 2001, a British Broadcasting Corporation (BBC) investigou rumores de que a RAF havia semeado as nuvens sobre a Inglaterra. Eles apareceram com relatos em primeira pessoa de alguns dos pilotos que estiveram envolvidos em uma missão ultra-secreta chamada de Operation Cumulus [Operação Cúmulo]. Durante esta operação em agosto de 1952, pilotos da RAF voaram sobre a linha das nuvens, deixando cair cargas de gelo seco, sal e - como os chineses usam hoje em dia - iodeto de prata.
Depois de apenas 30 minutos, a chuva começou a cair das nuvens infectadas. A princípio, os pilotos da RAF - chamados de fazedores de chuva pela imprensa - pelo que dizem, celebraram seu sucesso. Todavia, dentro de uma semana, teve início um dilúvio. Por volta do final do mês, North Devon, uma área da Inglaterra próxima ao local do experimento com a semeadura de nuvens, vivenciou a quantidade de chuva multiplicada por 250 do normal [fonte: BBC (em inglês)].
Em 15 de agosto de 1952, o dia em que a chuva começou, uma quantidade estimada de 90 milhões de toneladas de água corria através da cidade de Lynmouth em apenas um dia [fonte: The Guardian]. Árvores inteiras foram arrancadas pelas raízes, formando acúmulos de água e permitindo que a maré dos dois rios com curso através de Lynmouth ficasse ainda mais forte. Grandes pedras foram carregadas pela corrente, destruindo edifícios e carregando residentes para dentro do mar. No total, 35 bretões perderam suas vidas naquele dia como resultado da chuva torrencial. O Ministro da Defesa da Grã Bretanha sustenta que o país não havia feito nenhum experimento com semeadura de nuvens antes do incidente de Lynmouth.
A China e a Grã Bretanha pintam duas versões do mesmo quadro. Por um lado, a nação asiática criou um programa de semeadura de nuvens bem sucedido. Eles conseguiram gerar irrigação para terras áridas para cultivo de grãos a partir da fonte principal. Entretanto, o desastre britânico mostra os resultados trágicos de brincar com as forças da natureza.
E, ainda, precisamos de água mais do que nunca. Fazer uso de explosões não é viável para se produzir água nos dias de hoje e o AquaMagic e o Moinho de Vento de Whisson não estão sendo produzidos em uma escala grande o bastante para ajudar na necessidade imediata por água. A água é um recurso finito - e um recurso sem o qual a vida na Terra não pode ficar.
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