Há água ao nosso redor o tempo todo; apenas não conseguimos ver isso. O ar em nossa atmosfera contém uma quantidade variável de vapor de água, dependendo do tempo. Quando está quente e úmido, a água evaporada pode compor até 6% do ar que respiramos. Em dias frios e secos, a água pode compor algo tão baixo em torno de 0,07% do ar [fonte: Departamento de Energia dos Estados Unidos (em inglês)].
Esse ar faz parte do ciclo de água, um processo da Terra. Colocado de forma grosseira, a água evapora dos rios, lagos e do oceano. Ela é carregada para a atmosfera, onde se junta para formar nuvens (as quais são, na verdade, apenas acúmulos de vapor de água). Depois que as nuvens alcançam o ponto de saturação, gotículas de água serão formadas, as quais conhecemos como chuva. Esta chuva escorre pela terra e junta-se para formar corpos de água, onde todo o processo tem início novamente.
O problema é que o ciclo de água passa por períodos de seca. Devido a isso, alguns inventores começaram a perguntar: por que esperar? Por que não extrair o vapor de água do ar?
![]() Foto cedida por AquaMagic AquaMagic em um local de assistência às vítimas do desastre após o Furacão Katrina |
Um inventor australiano acabou de fazer isso. Max Whisson é o criador do Moinho de Vento Whisson, uma máquina que faz uso de energia eólica para coletar água da atmosfera. Whisson aponta para a Australian Broadcasting Corporation que o vapor de água chega a cerca de "10.000 bilhões de litros [cerca de 2.600 bilhões de galões] no km inferior [cerca de 0,62 milhas] de ar ao redor do mundo" [fonte: ABC (em inglês)]. Além do mais, essa água é substituída em todas as poucas horas, como parte do ciclo de água.
O moinho de vento de Whisson utiliza líquido refrigerante para resfriar as suas lâminas, o qual ele chamou de Max Water. Essas lâminas estão situadas verticalmente em vez de estarem na diagonal, de modo que até mesmo a mais leve brisa as gira. As lâminas resfriadas resfriam o ar, fazendo com que o vapor de água se condense - tornar-se água líquida novamente. O produto dessa condensação é, em seguida, coletado e armazenado. O moinho de vento de Whisson pode coletar até 11.800 litros de água do ar por dia.
Whisson diz que seu maior desafio não é a engenharia por trás de sua invenção, mas sim encontrar o capital de risco para dar suporte a essa - ele diz que as pessoas pensam que é bom demais para ser verdade. Esse problema soaria familiar para uma dupla de inventores americanos que têm uma invenção para fazer a água deles mesmos.
Jonathan Wright e David Richards criaram uma máquina que é similar àquela de Whisson, exceto no fato de que a deles lembra mais um trailer de acampar puxado pela traseira, desmontável, do que um moinho de vento. Essa invenção - que seus criadores chamam de AquaMagic - extrai o ar diretamente da área ao redor dela. Dentro da máquina, o ar é resfriado por uma bobina refrigerada. O ar é condensado e a água é coletada, purificada e liberada através de uma torneira.
A máquina AquaMagic - a qual, atualmente, custa cerca de US$ 28 mil por unidade - pode produzir até 545 litros de água purificada em 24 horas e, visto ser pequena, ela pode ser transportada tanto para locais de calamidades como para a África subsaariana. Entretanto, ela também tem uma desvantagem: para produzir esta quantidade de água, o AquaMagic precisa de cerca de 55 litros de óleo diesel. É neste ponto que o Moinho de Vento de Whisson (que custa cerca de US$ 43 mil por unidade) tem uma clara vantagem em relação ao AquaMagic: é totalmente verde. Ele funciona exclusivamente movido por energia eólica, não precisando de nenhum combustível fóssil. Até mesmo o condensador é movido pela energia gerada pelas turbinas do moinho de vento.
Falando em meio ambiente, por que se preocupar em coletar água a partir do ar? Por que não simplesmente fazer com que mais chuva caia? Isso pode soar forçado, mas é, na verdade, feito - às vezes, com conseqüências catastróficas. Descubra por que pode não ser uma boa idéia manipular o ciclo de água na próxima página.