Por que não podemos fabricar água?

Autor: 
Josh Clark

A água está se tornando uma questão cada vez mais importante no mundo desenvolvido. Entretanto, essa questão também não é novidade para outras nações menos desenvolvidas. A água potável limpa está se tornando cada vez mais difícil de ser obtida para muitas populações, especialmente as pobres. Em algumas áreas, a água pode estar disponível, entretanto, com freqüência, está cheia de doenças e bebê-la pode ser fatal. Em outras áreas, um suprimento viável de água não está disponível de forma alguma.

Viver com um suprimento de água potável que está diminuindo já se tornou há tempos uma realidade na vida para muitos países. No mundo ocidental, este é um problema novo, ainda que sério.
David McNew/Getty Images
Viver com um suprimento de água potável que está diminuindo já se tornou há tempos uma realidade na vida para muitos países. No mundo ocidental, este é um problema novo, ainda que sério

Um relatório de 2006 das Nações Unidas estimou que 20% da população mundial não têm acesso à água potável limpa [fonte: BBC (em inglês)]. Isso nos leva a ponderar: se precisamos tanto dela, por que simplesmente não a fabricamos?

A água é composta por duas moléculas de hidrogênio ligadas a uma molécula de oxigênio. Isso parece química básica, então, por que não as juntamos e resolvemos os problemas da água do mundo? Teoricamente, isso é possível, mas seria um processo extremamente perigoso também.

Para criar água, moléculas de hidrogênio e oxigênio devem estar presentes. Misturá-las e uni-las não ajuda; você ainda ficaria com apenas moléculas separadas de hidrogênio e oxigênio. As órbitas dos elétrons de cada molécula devem estar ligadas e, para fazer isso, devemos ter uma manifestação repentina de energia para fazer com que estas coisas tímidas se unam.

Visto que o hidrogênio e o oxigênio são, inflamáveis, não precisaria de muito para criar essa força. Basicamente, tudo de que precisamos é de uma faísca - nem mesmo uma chama - e “bum!” Temos água. As órbitas dos elétrons das moléculas de hidrogênio e oxigênio foram unidas.

Entretanto, também temos uma explosão e - se nosso experimento for grande o bastante, uma explosão mortal. O malfadado dirigível, Hindenburg, usava hidrogênio para que se manter flutuando. Conforme ele foi se aproximando de Nova Jersey, em 5 de maio de 1937, para aterrissar depois de uma viagem transatlântica, eletricidade estática (ou um ato de sabotagem, de acordo com alguns) fez com que o hidrogênio produzisse faíscas. Quando misturado com o oxigênio do ar, o hidrogênio explodiu, envolvendo o Hindenburg em uma bola de fogo que o destruiu completamente em meio minuto.

Houve, entretanto, uma grande quantidade de água criada por esta explosão.

Para criar água potável suficiente para sustentar a população global, seria necessário um processo muito perigoso e de escala incrivelmente grande. Ainda assim, há cerca de um século, o pensamento de um motor de combustão interna - com suas repetidas explosões controladas - parecia algo perigosamente insano. E, conforme a água se torna mais escassa, o processo de juntar moléculas de hidrogênio com moléculas de oxigênio pode tornar-se mais atraente do que é atualmente. A necessidade, afinal, é a mãe da invenção.

Entretanto, há maneiras mais seguras de criar água completamente do nada - e projetos para tal propósito já estão em andamento. Leia a página seguinte para aprender sobre alguns cientistas malucos que podem acabar resolvendo a crise de água iminente no mundo.

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