Introdução


acidentes com raios

O jornal O Estado de S.Paulo noticiou em 21 de fevereiro de 2008 que houve 22 mortes por raios nos primeiros 50 dias de 2008 em oposição a 46 vítimas em todo o ano anterior (2007), sugerindo um aumento do número de acidentes. A maior parte dos acidentes se concentra no Estado de São Paulo.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe informa também que houve aumento em 35% no número de raios na região sudeste do país em 2008 em relação ao mesmo período de 2007. A explicação de como ocorrem os raios pode ser lida no artigo Como funcionam os relâmpagos.

Relâmpago



Já a explicação para o aumento da incidência de raios está no fenômeno La Niña, que é o esfriamento de águas do Oceano Pacífico. Esse fenômeno climático está aumentando a incidência de raios no Brasil e a região mais afetada é exatamente a sudeste.

De acordo com um levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em janeiro, a região sudeste teve 51% mais descargas elétricas do que no mesmo mês do ano passado. Isso explica o elevado número de vítimas das descargas elétricas em São Paulo. No Estado de São Paulo as cidades mais atingidas por raios foram São Caetano, Suzano, Santo André, Ribeirão Pires, Mauá e Guarulhos.

Curiosidade

O La Niña acontece a cada sete meses e dura em torno de seis a dezoito meses. Ele é o oposto do fenômeno El Niño, que é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico.

O fenômeno “La Niña” acontece a cada sete anos e dura em torno de seis a 18 meses. Durante esse período deve-se esperar o aumento do número de tempestades com raio e um conseqüente aumento do número de mortes por esse tipo de acidente como já aconteceu em janeiro deste ano. Se a duração do “La Nina” for prolongada, em setembro quando as tempestades com raios voltam a se tornar mais freqüentes na primavera, o risco de acidentes pode continuar elevado. No ano de 2001 em que o fenômeno “La Niña” marcou presença, o número de mortes por raio atingiu 73 óbitos, o mais alto até agora no país.

Esses números provavelmente são subestimados porque uma parte das mortes ocorre em locais isolados e o atestado de óbito é preenchido colocando-se a parada cardíaca como sendo a causa da morte.
As estatísticas brasileiras nessa área ainda estão sendo construídas. Mas, há similitude com a situação descrita nos Estados Unidos. Tal como aqui, considera-se que se subestimam o número de casos. Lá foram notificados 300 casos/ano com 100 mortes, ou seja, uma letalidade (número de mortos em quem foi vítima do acidente) de 33%. Dos sobreviventes, 3/4 ficaram com seqüelas. As mortes ocorrem logo após o acidente por parada do coração ou da respiração.

No hemisfério norte as ocorrências são entre maio e setembro, ou seja, nos meses mais quentes quando as pessoas ficam expostas à natureza, praias, etc. No Brasil, os casos ocorridos são entre outubro e março. A maior parte das vezes os acidentes ocorrem no fim da tarde.

Dados americanos mostram que antigamente as vítimas eram fazendeiros e marinheiros, mas hoje em dia são adeptos do ecoturismo e atividades esportivas em locais abertos e de maior altitude.

Nos Estados Unidos observou-se que 75 % das vítimas estavam em atividades recreativas. No Brasil, as descrições de morte são, em sua grande maioria, de moradores da zona rural, que estavam andando em locais descampados onde a probabilidade de ser atingido é maior do que em cidades relativamente protegidas. Um dos locais onde se relata mais casos de pessoas atingidas por raios em cidades são campos de futebol ou áreas de lazer extensas. Por isso, a prática de futebol deve ser suspensa, na vigência e tempestades com raios.

Relâmpago nasa

Foto cedida Nasa

Um fato curioso no caso das mortes por raio é que a causa é realmente uma parada cardio-respiratória, que não passa de evento terminal de tantas outras causas de morte. Porém, o dano ocasionado pelo raio pode ser decorrente da própria voltagem do relâmpago, do trauma provocado pelo raio ou pelo excesso de contrações musculares. A maioria das vítimas fica sem respirar e sem batimentos cardíacos, mas consegue recobrar as funções espontaneamente! Um fato ainda misterioso para a ciência médica.

Acredita-se que há uma cessação dos movimentos respiratórios e circulatórios por curto espaço de tempo, mas depois disso as funções cerebrais reassumem o comando. Por esse motivo, recomenda-se sempre iniciar manobras de ressuscitação em quem foi atingido por raio, mesmo que aparente estar morto. Em outros termos, é como se um hipotético “disjuntor caísse” e, alguém o ligasse novamente, restabelecendo a energia no organismo, ou seja, os batimentos cardíacos e os movimentos respiratórios.

A comparação de acidentes com raio daqueles com a rede elétrica mostra que a fonte de energia é direta no raio e alternada no choque da rede de abastecimento de energia. A magnitude é muito maior no raio, mas a duração é muito menor. A corrente do raio pode chegar a 2 bilhões de volts e 200 Amperes, mas a corrente de fluxo é de 0,0001 segundo.

Tipos de acidentes com raio

As formas de acidente por raio são de quatro tipos.

  • Direta - o raio cai sobre uma pessoa em pé em um lugar aberto, entrando pela cabeça (entra no crânio pelos orifícios), atravessa externamente e internamente a pessoa e sai pelo solo. Esse tipo de acidente é o que faz o maior número de vítimas.
  • Por contato - o raio atinge um objeto próximo a pessoa, transferindo-se para ela. Os objetos de contato podem ser tacos de golfe, guarda-chuvas ou por exemplo, um molho de chaves.
  • Por espalhamento (splash) - ocorre quando a tempestade está em cima de uma área cheia de árvores e o raio cai sobre uma delas, e se espalha pelas pessoas em volta. Pode ocorrer também dentro de casa, se a vítima estiver utilizando telefone com fio. É o tipo mais comum de acidente.
  • Em onda - a última forma é quando o raio atinge o solo e viaja em círculos (igual a quando lançamos uma pedra em um lago) e quem estiver no raio da onda é atingido.

Lesões mais freqüentes

As queimaduras na pele não são freqüentes. A lesão mais características é a chamada figura de Lichtenberg que não tem valor clínico, porque desaparece em dois dias. Porém, apresenta um aspecto muito curioso.

Como já citamos, a questão principal é a parada cardíaca e respiratória. Mesmo, que o atingido pareça “morto”, é indicado o início imediato das manobras de ressuscitação.

Outras situações foram associadas ao acidente com raios como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral, amnésia, confusão mental, surdez e cegueira reversíveis, perda de movimentos de membros e dores musculares intensas. E, situações decorrentes da queda da própria altura ou de local mais elevado que é muitas vezes a causa da morte e não o acidente em si.

Na próxima seção, descubra como evitar acidentes com relâmpagos.

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