Criação de abelhas

Autor: 
Tracy Wilson

Por centenas de anos, as pessoas desenvolveram muitos tipos de colméias artificiais que oferecem abrigo e espaço para as abelhas e ao mesmo tempo facilitam a colheita de mel. O modelo mais usado hoje em dia é a colméia Langstroth, desenvolvida por Lorenzo Lorraine Langstroth na década de 1850. Antes das invenções de Langstroth, as pessoas basicamente mantinham as abelhas em colméias feitas de cestas, caixas ou pedaços de lenha. Algumas delas tinham suportes inclinados e removíveis, em que as abelhas penduravam os favos de mel. Outras não tinham uma maneira conveniente de conseguir acesso ou remover o mel. Colméias com suportes inclinados ainda são usadas em algumas partes do mundo, e os apicultores maias que criam abelhas sem ferrão ainda usam lenhas como colméias.

Bee boles, or stone alcoves made to hold traditional beehives called skeps, in Wales.
Foto cedida por Herman Hooyschuur/ Stock.xchng
Estruturas de argila ou alcovas de pedra feitas para armazenar as colméias tradicionais são chamadas de cortiço, no País de Gales

Langstroth descobriu que as pessoas podiam influenciar a maneira como as abelhas desenvolvem seus favos de mel ajustando a quantidade de espaço em sua área de desenvolvimento. Essa área, conhecida com espaço-abelha, permite que as abelhas se movimentem, cuidem das mais jovens, desenvolvam novos favos de mel e produzam mel. De acordo com as teorias de Langstroth, a quantidade ideal de espaço entre as camadas de favo de mel é de 64 a 79 milímetros.

Langstroth bee hives
Foto cedida por Morguefile
Colméias de Langstroth

A colméia de Langstroth usa uma estrutura com várias camadas e quadros removíveis para incentivar as abelhas a construírem suas colméias de forma organizada e para facilitar a colheita do mel pelos apicultores. A partir da base, as camadas são:

  • fundo, onde fica a base da colméia;
  • ninho, que é feito com uma caixa chamada melgueira e é onde a rainha deposita seus ovos e as operárias criam as larvas;
  • tela excluidora, uma chapa perfurada pela qual a rainha não pode passar, impedindo que ela deposite ovos nos alvéolos;
  • melgueiras rasas, que possuem em torno da metade da profundidade do ninho, onde as abelhas armazenam o mel.
  • tampa.

 Os apicultores geralmente usam melgueiras rasas em vez das normais para armazenar o mel porque ele é relativamente pesado. Uma melgueira rasa pesa cerca de 15,9 Kg quando está cheia, ao passo que uma funda pesa quase 36,3 Kg. Isso facilita a remoção e a substituição das melgueiras pelos apicultores. As abelhas irão continuar a produzir e armazenar mel enquanto tiverem espaço suficiente; então, remover os favos de mel completos e substituí-los por melgueiras vazias é importante para a criação de abelhas. Também é importante se certificar de que as abelhas tenham comida suficiente para o inverno. Por isso, muitos apicultores fazem a última colheita de mel no fim do verão, para que elas possam coletar néctar e transformá-lo em mel durante o outono.

 Para fazer a colheita de mel, os apicultores podem remover os favos de mel prontos das melgueiras rasas e colocá-los para girar em um aparelho chamado centrífuga, ou extrator de mel. Ele remove o mel do favo ao mesmo tempo que deixa a estrutura intacta. Como são necessários 9 Kg de mel para formar 45 Kg de cera alveolada para a colméia, a reutilização dos favos geralmente permite que os apicultores colham mais mel.

Langstroth bee hives
Foto cedida por Morguefile
Apicultores fazendo a colheita de mel

Essa estrutura faz com que seja relativamente fácil para o apicultor realizar a colheita do mel sem danificar a colméia ou machucar alguma abelha. O apicultor, no entanto, tem que ser cuidadoso. Muitos apicultores usam uma máscara e luvas para proteger seus rostos e mãos das picadas (em inglês) enquanto estão trabalhando com as colméias. Eles também se movem bem devagar quando estão abrindo a colméia, retirando e substituindo os quadros. Isso é importante porque as abelhas liberam um feromônio de alarme quando são esmagadas ou usam seus ferrões. Esse feromônio incentiva suas irmãs na colméia a picarem qualquer coisa que esteja por perto. Os apicultores podem mascarar esse feromônio com a fumaça de um fumegador, que essencialmente é um conjunto de foles preso a uma lata à prova de fogo com um bocal na ponta. A fumaça também incentiva as abelhas a pararem de trabalhar e começarem a comer mel no caso de precisarem abandonar a colméia por causa do fogo. Isso diminui a chance de as abelhas se tornarem agitadas ou defensivas enquanto o apicultor trabalha na colméia.

Ocupando a colméia
Os apicultores podem conseguir suas abelhas de várias fontes. Algumas vezes, o apicultor irá capturar um enxame que se formou na propriedade de alguém. Os apicultores também ocupam suas colméias com rainhas e abelhas compradas de um fornecedor.

Uma colônia de abelhas pode ter milhares de operárias. Para produzir bastante mel, essas abelhas precisam de grandes fontes de alimento, como pomares, extensas plantações de vegetais ou outras áreas com uma densa vegetação. Os apicultores, porém, principalmente aqueles que realizam atividades de grande escala, nem sempre vivem perto o suficiente das fontes de alimento certas para alimentar todas as abelhas. Alguns suplementam os alimentos naturais das abelhas com néctares artificiais e pólen comprado. Outros alugam suas abelhas para fazendeiros, que as usam para polinizar as plantações. Sem as abelhas alugadas, as plantações não produziriam os alimentos necessários.

Essa necessidade de abelhas domésticas para a polinização de plantações é a razão pela qual muitas pessoas estão preocupadas com um fenômeno conhecido como Distúrbio do Colapso das Colônias (DCC). A seguir, vamos ver os mitos e as verdades por trás do DCC.