A maioria das pessoas está familiarizada com as atividades de Charles Darwin a bordo do HMS Beagle e sua famosa jornada à América do Sul. Ele fez algumas de suas mais importantes observações em Galápagos, onde cada uma das vinte e tantas ilhas suportam uma única subespécie de tentilhão perfeitamente adaptada para alimentar-se em seu ambiente exclusivo. Mas poucas pessoas sabem alguma coisa sobre os experimentos de Darwin depois que ele retornou à Inglaterra. Alguns deles concentraram-se em orquídeas.
![]() © iStochphoto / Solymosi Tamás A longa tromba da mariposa esfíngea ajudou a sustentar a teoria da seleção natural de Charles Darwin |
Como Darwin cultivou e estudou várias espécies de orquídeas nativas, ele percebeu que as formas intrincadas das orquídeas eram adaptações que permitiam que as flores atraíssem insetos que levariam o pólen para as flores próximas. Cada inseto estava perfeitamente modelado e designado para polinizar um único tipo de orquídea, da mesma forma que os bicos dos tentilhões de Galápagos eram modelados para preencher um nicho específico. Tome como exemplo a orquídea Estrela de Belém (Angraecum sesquipedale), que armazena néctar no fundo de um tubo de cerca de 30 cm de comprimento. Darwin viu esse desenho e previu que existia um animal compatível. De fato, em 1903, cientistas descobriram que a mariposa esfingídea ostentava uma longa tromba, ou nariz, unicamente apropriado para alcançar o fundo o tubo de néctar da orquídea.
Darwin usou os dados que ele coletou sobre as orquídeas e seus insetos polinizadores para reforçar sua teoria de seleção natural das espécies. Ele argumentava que a polinização cruzada produzia orquídeas mais aptas a sobreviver queas orquídeas produzidas pela autopolinização, uma forma de endogamia que reduz a diversidade genética e, consequentemente, a sobrevivência de uma espécie. E assim, três anos depois de descrever pela primeira vez a seleção natural em "Na Origem das Espécies", Darwin sustentou o moderno modelo de evolução com uns poucos experimentos com flores.